DESEJOS VIVENTES

Ler Contos de Terror


(Lenda Urbana)

O cafajeste fugia de carro pela movimentada avenida na madrugada de sábado. Ele evadiu-se da boate, escorraçado porque tentou roubar um beijo de uma garota que dançava no meio da pista, só que ela estava muito bem acompanhada por uns vinte amigos. Então, para evitar tomar uma surra, Edu abandonou seus colegas e desapareceu como num truque de mágica, deixando seus camaradas a pé.

Ele não queria voltar para casa, era cedo. Dirigia pela região central da cidade quando reparou, no ponto de ônibus, uma graciosa moça solitária. Edu fez o retorno no quarteirão; como perfeito canalha sedutor que era ele não perderia a oportunidade de abordar uma mulher sozinha.

– Boa noite moça. Quer uma carona?

– Não, obrigada – disse a mulher de aparência realmente bela, suas palavras meio que hesitaram porque ela já estava ali plantada há algumas horas.

– A esta hora da noite não deve ter mais ônibus. – e esticando o corpo para abrir a porta do carona ele continuou suas investidas – Vem, entra aqui!

A mulher lançou um olhar vivo, com expressão altaneira que certamente atraia o sorriso de qualquer galanteador. Só que ela estava desconfiada das ações de Edu.

– Olha meu nome é Eduardo, sei que você não fala com estranhos, mas eu estou sozinho e quero só fazer uma boa ação para uma linda mulher. – pegando seu telefone, ele estendeu para ela – toma liga para sua família, fale a placa do meu carro e se em menos de vinte minutos você não estiver em casa com segurança eles podem chamar a policia.

Seus argumentos convenceram-na a entrar toda alegre no automóvel, estava toda ditosa porque além de ganhar a carona poderia ter um caso, já que Edu não era de se jogar fora.

A conversa fluía bem enquanto seguiam para os bairros na área sul da cidade, Edu tinha uma desenvoltura para cativar suas conquistas. Ela ouvia as bobagens cínicas do homem safado e apenas sorria, não ria com os lábios mas expressava graça com seu olhar animadamente radiante. Estava expresso no rosto dela o disfarce de uma moça pudica porque, além de ter um olhar obsceno, também usava um vestido branco provocante e mantinha seus movimentos inquietos.

– Minha noite será ótima! – presumiu Edu. Ou será que este pensamento libido partiu dela?

Edu estacionou em frente à casa da ninfa como prometido, apesar dele perceber que ela não queria entrar.

– Eu moro uns dez minutos para frente, não gostaria de continuar esta conversa num lugar mais intimo? Questionou o lindo cafajeste, fazendo carinha de pidão.

– Vamos, mas eu só posso ficar um pouquinho! Aquela foi a deixa para confirmar que Eduardo era um experiente conquistador, além de constatar que a mulher encobria seu cinismo.

Os batimentos cardíacos dele estavam acelerados, como uma overdose de coramina. Aquele estonteante corpo feminino realmente era um estimulante cardíaco, fazendo o coração de Edu vibrar. Ela possuía alusão comparada à mulher perfeita, uma tenaz estatua de temperatura fria, semelhante à escultura do mármore mais polido de todo Mundo Antigo, eram assim as curvas deleitosas da amante. Ela fazia todas as fibras musculares de Edu ferver a tal ponto que trazia o equilíbrio entre a febre do homem mais a umidade fresca da voluptuosa da intimidade dela. A amante queria estar próxima dos fortes braços do rapaz, era o calor dele que trazia renovo para seu desejo tornar arder num prazer crepitante. Eles se amaram como se fossem os últimos viventes da terra.

Feixes solares atravessavam as frestas da janela, querendo tocar na pele nua de Eduardo que ainda dormia sobre cama desforrada. Esgotado ele abriu os olhos, descansava estático porque tinha desprendido uma grande quantidade de energia junto com sua amada. Ele abriu os olhos ao ouvir seu telefone tocar inquieto escondido entre suas roupas.

– Alô?

– Cara você é o maior cretino que conheço, como pode abandonar a gente na boate? Nós gastamos todo o dinheiro com cerveja e quando...

– Desculpe amigo, não tive tempo nem para avisá-los. Eu saí praticamnete fugido.

– Amigo? Como você tem coragem de me chamar de amig...

Edu desligou o telefone para não ouvir mais os insultos que merecia com toda certeza.

A ninfa já não estava mais ali, partiu discretamente enquanto o homem dormia. Edu despertou com vontade de tê-la novamente ao seu lado, de alguma forma aquela mulher mexeu com seus sentimentos mais íntimos. Os traços de seu rosto delineado, os contornos de seu corpo além das sensações nítidas na memória como um sonho recente. Mas qual era seu nome? Ele esqueceu de perguntar. Queria tornar a vê-la, ouvir sua voz, reparar aquele olhar vivo lhe encarando com desejo, só que ela não deixou telefone. Não importa porque à tarde Edu iria bater no seu portão, igual um louco apaixonado. Era um risco que pretendia correr.

Apesar do bairro está mais movimentado pela tarde, Edu lembrava-se claramente onde ela morava. Ele parou na frente do portão e por um instante treinou dentro do carro o que dizer, já que desconhecia o nome a quem chamar. Ele respirou fundo e bateu palmas.

– Pois não?

– Boa tarde senhor, eu gostaria de falar com uma moça que mora nessa casa.

– Aqui não mora nenhuma garota, apenas eu, minha esposa e meu filho.

– Eu trouxe ela aqui uma vez de carro. – tentando revelar parte do que realmente aconteceu, e continuou dar explicações – ela disse que morava aqui, é uma linda mulher de cabelos longos e olhos bem expressivos.

– Você conhece a Marly de onde? Perguntou o velho, abrindo rapidamente o portão para tratar com Edu sem formalidades.

– Na verdade eu a conheci ontem, só que perdi seu telefone. O senhor pode chamá-la?

– Entre, entre...

Eduardo entrou na casa humilde com mobílias antiga. O que chamou a atenção do homem foi um quadro de Jesus Cristo de manto vermelho, abençoando o ambiente com a mão direita perfurada e um coração estampado no peito cravado com uma coroa de espinhos; ao lado do quadro do messias havia um retrato de mesmo tamanho da ninfa que Edu estava apaixonado. A imagem da fotografia mostrava-a ela sorrindo, não com os lábios mas com seus olhos bem vivo.

– Marlene venha cá! – uma senhora surge na sala secando as mãos com um pano de prato, pelas semelhanças dos traços ela certamente seria a mãe de Marly. Ao ver a senhora o velho prossegue – Este homem disse que esteve com Marly ontem, ele está querendo conversar com ela.

– Você deve está se confundindo. – falou pasmada a mãe da jovem, enquanto buscava apoio para sua repentina fraqueza, sentando no sofá.

– Não há nenhuma confusão, eu gostaria de conversar com a Marly só por dez minutos. – e apontando para o retrato dela – É ela ali na parede, eu quero falar com ela.

O velho aproxima-se de sua companheira, que começava chorar com o pano cobrindo o rosto. Com fisionomia abatida e voz embargada o pai de Marly conclui:

– Nossa filha era uma moça que viveu sua vida intensamente, assim ela morreu de overdose, foi encontrada estirada próxima a um ponto de ônibus. Você não esteve com ela porque ontem fez um ano que faleceu!

Eduardo saiu daquela casa sem dizer nenhuma palavra, saiu confuso, tentando conjecturar respostas para sua alma aflita. O calor de seu corpo, sobre os lençóis da cama, serviu de alento a um espírito que não conformava-se com a morte prematura.

Francisco Farias Jr, reeditado em 01/06/2013.

5 comentários:

You're so interesting! I do not believe I've trulу гead through a single thing lіkе that
beforе. So good tο ԁiѕсovеr another рersοn ωith sοme οriginаl thoughtѕ on thіs topic.
Reаlly.. many thanks for starting thіѕ up.
Τhis web site іѕ onе thіng thаt's needed on the internet, someone with a little originality!
my webpage: http://www.sfgate.com/business/prweb/article/V2-Cigs-Review-Authentic-Smoking-Experience-or-4075176.php

Postar um comentário

  • RSS
  • Flickr
  • Facebook
  • Google +
  • Twitter
  • YouTube

Pesquisar